Brazil
May 14, 2012
A queda de 30% na produção de soja de Mato Grosso do Sul na safra 2011/2012 alarmou os produtores rurais do Estado. Segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), realizado em maio de 2012, foram 4,63 milhões de toneladas a menos na colheita de soja no Brasil. Os resultados negativos foram causados, principalmente, pelo longo período de estiagem devido ao fenômeno climático La Niña. Mas os danos poderiam ter sido menores em lavouras que produtores considerassem elementos que, associados, influenciam na boa produtividade da oleaginosa.
Em áreas onde os produtores fizeram manejo adequado, com manutenção de palhada na superfície, houve mais armazenamento de água no solo e, consequentemente, menos perdas e até manutenção da produtividade. Entre as tecnologias disponíveis ao produtor para conseguirem os benefícios estão o Sistema Plantio Direto (SPD), a Integração Lavoura-Pecuária (iLP), a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e o milho em consórcio com braquiária no período da safrinha. “Na região centro-sul do Estado, onde a estiagem foi mais duradoura, foi nítida a diferença na produtividade entre os produtores que utilizaram sistemas conservacionistas”, diz o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Rodrigo Arroyo Garcia.
Outras técnicas que aumentam o potencial produtivo da soja são a alternância das épocas de semeadura das cultivares de soja e o respeito ao zoneamento agrícola. “Plantar sempre dentro da época permitida pelo zoneamento é de extrema importância, porque há um estudo que concluiu que a época determinada é a mais favorável, com menor risco”, enfatiza o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados/MS), Carlos Ricardo Fietz.
O produtor também precisa considerar a fertilidade do solo e o histórico de produção da lavoura, o que significa realizar um bom manejo de adubação, que inclui a utilização de inoculantes para a fixação biológica de nitrogênio (FBN), desde que bem executada.
"A FBN é uma tecnologia barata e acessível aos produtores. Mas quando ele utiliza produtos químicos em excesso no tratamento das sementes, o desenvolvimento das bactérias promotoras da fixação é inibido. Esse é um dos problemas que vem ocasionando grandes perdas na expressão do potencial produtivo da soja", alerta Arroyo.
Da mesma forma, a população de plantas e o espaçamento utilizado influenciam a produtividade. Populações elevadas de plantas podem levar ao “acamamento”, enquanto populações baixas limitam a expressão do potencial produtivo da área. “Dependendo das condições, espaçamentos mais reduzidos tendem a aumentar as produtividades de algumas cultivares disponíveis no mercado, no entanto, questões relacionadas à utilização de máquinas agrícolas e problemas fitossanitários podem ser limitantes”, diz Arroyo.
No quesito manejo fitossanitário, Arroyo diz que, boa parte dos produtores não chegam a sofrer quedas consideráveis de produtividade por problemas de doenças, pragas e plantas daninhas, já que, em sua maioria, realizam um manejo químico intenso. Os inconvenientes são a elevação do custo de produção, a contaminação dos solos e lençol freático por excesso de aplicações além do surgimento de indivíduos resistentes aos defensivos agrícolas. Uma série de ações, como rotação de culturas, diversas épocas de semeadura e manutenção de palha no solo, criam condições satisfatórias para a redução no número de aplicações.
48ª Expoagro - Esses assuntos serão debatidos na palestra do pesquisador Rodrigo Arroyo Garcia no 11º Simpósio da Agricultura, terça-feira, 15 de maio, das 14 às 15 horas, na 48ª Expoagro (Dourados/MS). A realização do Simpósio é da Embrapa Agropecuária Oeste, Grupo Plantio na Palha de Dourados, e promoção do Sindicato Rural de Dourados. O evento será das 7h30 às 17 horas.
Ainda durante à tarde foi programado um debate sobre as reais perspectivas de se atingir patamares elevados de produtividade com sustentabilidade econômica e ambiental, a partir das 15h45. Participam o engenheiro agrônomo e professor da UFGD Luiz Carlos Ferreira de Souza; o engenheiro agrônomo e produtor rural Élvio Rodrigues, o produtor rural de Dourados Peter Ferter e o engenheiro agrônomo Angelo Ximenes da Coperplan Dourados.
Na parte da manhã, às 8h15, a palestra será do engenheiro agrônomo e diretor-presidente do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), às 8h15, que explicará como funciona o ranking nacional e os estudos que analisam os que fatores levam produtores rurais a atingirem grande produtividade. Em seguida, às 10 horas, o produtor rural Leandro Sartoreli Ricci (Mamborê/PR) dará seu depoimento, contando como foi campeão de produtividade por dois anos seguidos, com produtividade superior a 100 sacas/ha.
Foto: Euclides Maranho/Embrapa Agropecuária Oeste